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segunda-feira, 13 de março de 2017

Justiça ouve detentos envolvidos em rebelião que causou 9 mortes no Conjunto Penal de Feira

Pelo menos 14 detentos suspeitos de envolvimento na rebelião que aconteceu no dia 24 de maio de 2015 estão prestando depoimento nesta segunda-feira (13), no Salão do Júri, no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana.

Presidida pela juíza Márcia Simões, e acompanhada pela promotora Semeane Cardoso e advogados, os detentos estão sendo ouvidos pelos 9 homicídios e 5 tentativas de homicídio que ocorreram no interior da unidade prisional.

Segundo o advogado Guga Leal, que representa alguns dos presos, a audiência de instrução está na primeira fase, quando serão ouvidos os acusados e testemunhas de acusação e defesa. “Nessa primeira fase, todos serão ouvidos e ao término das ouvidas a juíza decide se pronuncia pela realização do júri popular”, relatou o advogado.
Guga Leal explicou que se a juíza determinar pela realização do júri, não há previsão quando o mesmo acontecerá.  Indagado pelo repórter Denivaldo Costa se algum familiar de detento que morreu durante a rebelião ingressará com pedido de indenização, o advogado disse que há movimentação neste sentido e que ele mesmo já ingressou com um processo para atender a família de um cliente que estava sob a custódia do Estado.

Inquérito da Polícia Civil

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou os 9 assassinatos ocorridos durante uma rebelião no mês de maio de 2015 no Conjunto Penal de Feira de Santana. De acordo com o coordenador regional, João Rodrigo Uzzum, 19 pessoas foram indiciadas, sendo expedidos o mesmo número de mandados de prisão e dezoito cumpridos.

O delegado informou ainda que as investigações apontaram Ronilson Oliveira de Jesus, também conhecido como ‘Rafael’, como mandante dos homicídios. Mesmo fora do presídio, Rafael, teria ordenado que seus comparsas presos matassem detentos de outra facção liderada pelo presidiário conhecido como ‘Deraldinho’, também assassinado durante a rebelião. O motivo seria a disputa pelo tráfico de drogas que existe no presídio,segundo o delegado. “Isso movimenta uma grande quantia em dinheiro no presídio”, destacou Uzzum.

A rebelião

No inicio da tarde de domingo (24/5/2015), os detentos do Pavilhão 10 do Conjunto Penal de Feira de Santana se recusaram a voltar para as celas, após o horário de visita, e deram inicio a uma rebelião no pátio onde tomam banho de sol. Alguns familiares foram mantidos como reféns, até o inicio das negociações.
De acordo com as informações da polícia, não houve fuga de presos, porém pelo menos 9 detentos foram mortos durante o motim e alguns chegaram a ser decapitados, enquanto outros cinco ficaram feridos. 

Os corpos foram arrastados e colocados em um dos acessos ao pátio. Os detentos que participaram da rebelião estavam armados com revolveres e facas.

O movimento foi encerrado pela manhã de segunda, com a liberação das pessoas, que passaram a madrugada dentro do conjunto penal. Com o fim da rebelião, após mais de 18 horas de negociação, uma perícia e vistorias foram realizadas nas dependências da unidade prisional. Durante a negociação com a polícia, os presos rebelados entregaram um saco com três armas: dois revólveres e uma pistola. 
As negociações foram conduzidas pelo comandante do Comando de Policiamento Regional Leste, coronel Adelmário Xavier. Também estiveram presentes o secretário Estadual de Administração Penitenciária, Nestor Duarte, e membros da comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Feira.  

Blog Central de Polícia, com informações de Denivaldo Costa e arquivo






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