A saída do inspetor da Polícia Rodoviária Federal Sílvio
Dias da Ciretran foi noticiada como um ato burocrático natural e se deu no
início do mês, quando ocorreram as convenções partidárias que homologaram as
chapas que concorrem na eleição para prefeito e vereadores. Sílvio é presidente
do PTN, e desligou-se para atuar na campanha de Zé Neto (PT) a prefeito, o que
é até louvável, a princípio. Afasta-se, ao invés de ficar lá dentro sob a
suspeição de usar o cargo em favor de seu candidato. Passou despercebido no
noticiário, entretanto, que seu substituto foi o próprio irmão, o soldado da PM
Silvano Rodrigues de Oliveira.
O advogado Bruno Sobral, que atua em questões de trânsito,
disse que foi procurado por pessoas da Ciretran, mesmo antes da nomeação,
contando que ela seria feita. Afirma que só acreditou quando a portaria foi
publicada no Diário Oficial, no dia 5 de agosto. Ele questiona a legalidade do
ato. “Se trata de uma situação que caracteriza nepotismo. O nepotismo vem a ser
justamente isso: a concentração do poder do gestor dentro de órgão público, em
relação à nomeação de parentes. Foi o que ocorreu”, aponta.
Na opinião do advogado, Sílvio se comportou como
proprietário do cargo. “Informou na imprensa, sem meio termo e sem rodeios que
após passado o período da eleição voltaria. Neste momento deixa bem claro que o
cargo é dele”.
Sílvio Dias nega que haja qualquer problema. “Não há
ilegalidade nenhuma. O fato de ele ser meu irmão é apenas uma questão casual.
Ele é um policial militar, tem formação na área, é um psicólogo com formação e
pós graduação em Psicologia do Trânsito. Supre os requisitos para assumir um cargo
desse nível”, avalia.
O inspetor assegura ter adotado a atitude mais correta ao
pedir afastamento. “Acredito que desta forma estou até contribuindo mais com o
órgão do que estando lá dentro. As pessoas preferem estar nos cargos, para usar
os cargos. Por uma questão de ideologia, preferi me afastar, para não misturar
as coisas. O cargo funciona, o órgão continua funcionando, mas como sou
presidente de um partido preferi não misturar as coisas. Pra evitar estar de
certa forma atendendo algumas situações políticas lá na Ciretran, preferi me
afastar e ter mais liberdade para atuar politicamente, ajudando na campanha”,
comenta.
Sobre a nomeação do próprio irmão e a acusação de se
apropriar da função, Sílvio diz que o cargo é do partido político e indicação
política. “É claro que há toda uma aliança com o governo do estado, onde o PTN
participa. Mas há de se ver que é um cargo político. Apesar da pessoa que
assume atender os requisitos técnicos, é um cargo político”, interpreta.
Para o advogado Bruno, cabe uma intervenção da promotoria
que trata da moralidade administrativa. “Existem medidas que podem ser
interpostas no Ministério Público, que tem uma linha clara sobre nepotismo e de
forma alguma titubeia quando se depara com esses casos. Entendo eu que medidas
devem ser tomadas neste sentido”, cobra.
Por: Glauco Wanderley ( Tribuna Feirense)

orgaos publicos no brasil e casa d noca o povo e obrigado a servi-los e ao contrario
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