segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Mãe suspeita de vender criança diz à polícia não ter condições financeiras

A mãe suspeita de vender um bebê em Feira de Santana, interior da Bahia, disse à polícia que não recebeu dinheiro e deu a criança por não ter condição financeira de criar a menina. O depoimento foi colhido na tarde desta segunda-feira (2), pela delegada Klaudine Passos, quatro dias após a criança ter sido flagrada com um casal da cidade. "Ela é diarista, nasceu aqui em Feira, mas mora em Fortaleza. Disse que não recebeu dinheiro e que deu a criança. Na cabeça dela, acha que não é problema", afirmou a delegada.
Vanessa Sena Alves, de 27 anos tem dois filhos criados pelo pai biológico. A menina entregue à família da Bahia é o terceiro filho da diarista, de pai diferente. Segundo a delegada, há informações de que ele tenha tido conhecimento do caso após repercussão na imprensa e o rapaz vai ser intimado. "Notícias informais chegaram aqui dizendo que o pai teria interesse em ficar com a filha. Vamos intimá-lo, assim como as duas irmãs dela, que moram na cidade", relata Passos.
Até o momento da investigação, segundo a delegada, as informações apontam para o papel da intermediadora no processo. "A gente percebe que houva intermediação. As investigações nos levam a crer que a intermediadora tenha pego a criança se valendo do desconhecimento da genitora para fazer um comércio", afirma a delegada. A suspeita de intermediar o contato já foi indiciada pela Polícia Civil. A mãe biológica pode responder por abandono de incapaz.

Até o momento, o valor de R$ 5 mil, apontado na denúncia, não foi confirmado. Segundo o casal preso, a intermediadora pagou a passagem de ônibus interestadual e teria cobrado o preço de R$ 2 mil. As informações são investigadas pela delegada;

O casal suspeito da compra foi libertado do presídio regional após alvará de soltura ter sido concedido pelo plantão judiciário no domingo (1°), de acordo com o advogado dos suspeitos, Guga Leal.

"Eles não compraram a criança. Eles receberam na quinta-feira à noite, na sexta, iriam levar ao hospital e, na segunda, iriam procurar as medidas cabíveis para a adoção. Eu comprovei que eles se apresentaram espontaneamente à delegacia. Em hipótese nenhuma eles compraram", defende o advogado.
O bebê continua internado no Hospital Estadual da Criança (HEC). Segundo boletim médico divulgado nesta segunda, a menina tem quadro de saúde estável e faz tratamento para icterícia, sem complicações. Ainda não há previsão de alta.

Mais de 12 pessoas já foram ouvidas pela delegacia de Feira de Santana. Entre os testemunhos coletados, estão o da avó biológica e o da  suspeita de intermediar o processo. Segundo a Polícia Civil, a intermediadora disse que não conhecia a mãe do bebê, contudo, a polícia desconfia de que elas se conheciam antes mesmo do parto. A suspeita já foi indiciada, mas não foi presa porque não houve flagrante. A avó biológica teria sido a responsável por denunciar o caso.

De acordo com a titular da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), o bebê, que tinha oito dias de vida quando foi localizado, é de Fortaleza, Ceará, e teria sido conduzido para a Bahia pela própria mãe biológica, que estava interessada em vender a criança. "Quando chegamos até os suspeitos, eles informaram que o bebê tinha sido abandonado na porta da casa deles na madrugada desta sexta-feira [30]. No entanto, a história não nos convenceu e os dois foram levados para a delegacia, onde confessaram tudo em depoimento", disse a a delegada, em entrevista ao G1, ainda na sexta-feira.

Segundo a investigadora, o suspeitos, naturais de Feira de Santana, não podem ter filhos, ficaram com vontade de adotar uma criança e ficaram sabendo da mãe cearense interessada em se desfazer do próprio bebê. "Eles perceberam a oportunidade e começaram a correr atrás da criança", afirmou. Conforme a delegada, o homem de Feira teria comprado uma passagem, no valor de R$ 232 reais, para que o bebê fosse trazido de ônibus para a cidade.

As informações são do G1 Bahia.

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